Você Tem o Profissional Certo — no Cargo Errado. Como Realocar Funcionário Dentro da Empresa?
65% dos colaboradores desengajados estão no cargo errado para o perfil. Antes de demitir, existe uma pergunta que a maioria dos gestores não faz. Entenda como realocar salva talento e corta custo.
Tem alguém no seu time que entrega abaixo do esperado — mas que você percebe que tem capacidade para mais. Algo não encaixa. O trabalho não está fluindo, a motivação caiu, a entrega está aquém. A conclusão mais rápida é que a pessoa não serve para a empresa.
Mas e se o problema não for a pessoa? E se for o cargo?
Pesquisa da Gallup (2023) mostrou que 65% dos colaboradores que apresentam desengajamento estão numa função que não corresponde ao perfil comportamental que têm. Isso não é incompetência — é desalinhamento. E desalinhamento é corrigível sem precisar demitir e contratar de novo.
O Diagnóstico: O Que o Cargo Errado Produz — e Quanto Custa
O colaborador no cargo errado não chega ao trabalho decidido a entregar mal. Ele começa motivado, tenta se adaptar, percebe que o que é exigido não corresponde ao que sabe fazer de verdade, começa a se sentir incompetente e, com o tempo, para de tentar. Esse é o ciclo do desengajamento por desajuste de função — e ele raramente aparece num relatório de RH como causa de desligamento.
O que aparece no relatório é: 'baixo desempenho', 'não atendeu às expectativas', 'não se adaptou à cultura'. Todas verdadeiras. Nenhuma revelando a causa real.

"Demitir é fácil. Diagnosticar profundo é o que poucos gestores sabem fazer de verdade."
Robert Half (2024) mostrou que 58% dos desligamentos voluntários nos primeiros 2 anos têm como causa principal a distância entre a expectativa criada na contratação e a realidade do cargo no dia a dia. E a SHRM (2022) documentou que empresas que estruturam realocação interna têm 72% menos turnover do que as que recorrem diretamente ao desligamento e à nova contratação para o mesmo nível.
Desligamento vs. Realocação: O Que a Maioria Não Calcula Antes de Decidir
O custo de substituição de um colaborador varia entre 16% e 213% do salário anual, dependendo da senioridade (Center for American Progress). Para uma posição com salário de R$5.000/mês, isso representa entre R$9.600 e R$127.800 em custo total — sem contar o tempo de onboarding do substituto, que leva em média 60 a 90 dias até atingir produtividade plena.
Realocação interna, quando bem estruturada, tem custo próximo de zero em substituição e curva de aprendizado zerada — o profissional já conhece a empresa, a cultura e os processos. O que muda é a função. E funções são reconfiguráveis.
Como Identificar se o Problema É a Pessoa ou o Cargo
Antes de qualquer conversa de desligamento, passe por essas perguntas:
- O profissional já entregou bem em algum momento aqui dentro? Se sim, o que mudou — a função, a liderança, o contexto? Queda de desempenho que tem um ponto de inflexão raramente é problema de capacidade.
- O que essa pessoa faz bem — mas que a função atual não pede? Onde na empresa esse conjunto de competências seria mais útil?
- Quando ele fala sobre o trabalho, o que o energiza? O que menciona com resistência? A resposta revela onde está o desalinhamento.
- Existe uma função disponível ou uma necessidade emergente onde esse perfil se encaixaria melhor? Realocação não é caridade — é aproveitamento estratégico de ativo que você já tem.
- O gestor atual teve uma conversa honesta sobre expectativas e desempenho? Profissional que não sabe que está aquém não pode se ajustar. Diagnóstico começa pelo feedback que nunca foi dado.
"Antes de abrir uma vaga, pergunte se o talento que você precisa já está na empresa — no cargo errado."
Capacity RH: Diagnóstico Que Vai Além da Vaga Aberta
Na Capacity, antes de iniciar qualquer processo seletivo, fazemos uma pergunta ao empresário: existe alguém interno que poderia ocupar essa posição com a realocação e o desenvolvimento certos? Em muitos casos, a resposta é sim — e o processo começa de dentro, não de fora.
Quando a realocação não é possível e a contratação externa é necessária, o processo é conduzido com critério comportamental definido no Kick Off — para garantir que o profissional que entra vai funcionar naquela função, com aquela liderança, naquele contexto específico. Quer fazer esse diagnóstico? Solicite em capacityrh.com.br.
O Talento Que Você Está Prestes a Demitir Pode Ser o Que Você Está Tentando Contratar
Demissão é uma decisão — não um diagnóstico. Antes de tomar a decisão, o diagnóstico precisa ter acontecido. E diagnóstico honesto inclui perguntar: esse profissional está falhando por limitação real ou por desalinhamento de função?
A empresa que aprende a fazer essa distinção gasta menos em reposição, retém conhecimento que levaria meses para reconstruir e envia um sinal de cultura para o time inteiro: aqui, as pessoas importam o suficiente para serem entendidas antes de serem descartadas.
Se não vira resultado no seu negócio, não é solução. E demissão precipitada de profissional no cargo errado não está virando resultado — está virando custo de reposição evitável.
Fontes e Referências
- Gallup. State of the Global Workplace 2023.
- Robert Half. Guia Salarial Brasil 2024.
- SHRM. 2022 Employee Benefits and Turnover Report.
- Center for American Progress. The Cost of Employee Turnover. 2012.



